sexta-feira, 14 de março de 2014

Vermelho



Em uma exposição de Publicidade e Arte, aberta ao público,  um mendigo observa calado, pensativo e parado diante de um quadro. Seu olhar curioso contemplando algo que tentava compreender. Apenas um simples quadro branco com uma mancha vermelha jogada com um certo descaso. Ele tentava entender o que aquilo significava, talvez tudo, talvez nada. Era atraente como a maça do Eden e sagaz como a serpente. Doce como o vinho e apaixonante como um beijo quente. Envolvente como o movimento do vestido de uma dançarina de flamenco. Era o ódio no olhar de um touro forte. Ardente como a pimenta e sutil como um bombom de menta. A revolta de um punk Inglês lutando contra um sistema. Sedutor e belo como um vampiro Europeu, vital como sangue, vibrante como o desejo, intenso como a vingança, insano como a loucura, insensato como um assassinato, doentio como o ciúmes. Ele imaginava um milhão de coisas a partir do nada.

O que aquela imagem queria dizer ao mundo sem dizer uma palavra. Se pudesse dizer algo, o vermelho não falaria " GRITARIA". O GRITO do silêncio que EXPLODE na tela, quase que lançando sentimentos expostos, como uma ferida aberta pulsante, que jorra sangue para fora, saltando aos olhos que são espelhos da alma, penetrando na mente como a neve manchada pelo carmesim purpuro da intensidade da cor. Ele imaginava os sentimentos que  tivera o criador de tal obra simples e  fascinante.
Que na verdade era apenas um anúncio de extrato de tomate.

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